Câncer do Fígado

Os tumores de fígado podem ser de 2 tipos, aqueles que se originam no próprio órgão, chamados de tumores primários, e os que migram de outros órgãos para o fígado , conhecidos como tumores secundários ou metástases.

Os tumores primários de fígado podem ser benignos ou malignos , apenas a minoria deles por volta de 10% são considerados benignos. É importante lembrar que Cistos de fígado não são consideradas tumores e são na maioria das vezes de comportamento benigno.

Tumores benignos

Hemangioma: é o tumor benigno de fígado mais comum, geralmente encontrado em mulheres e é formado por vasos sanguíneos . Geralmente são identificados em exames como ultrassom e tomogafria como achado incidental, ou seja, quando se faz o exame para diagnosticar outra doença como calculos na vesicular biliar e descobre-se o hemangioma.

A necessidade de cirurgia para retirada é rara e só é considerada nos casos de dor ou sangramento.

Adenoma: são quase exclusivos de mulheres e são formados por células hepaticas, os hepatócipos. Seu surgimento é relacionado em muitos casos com uso de anticoncepcionais orais. Deve ser dosado realizado dosagem de Alfa-fetoproteína(AFP) para descartar malignidade.

Essas lesões devem ser acompanhadas com exames de imagem periódicos com o especialista pois podem crescer causando dor ou sangramento, podendo ser necessario cirurgia.

Hipeplasia Nodular Focal: também formada por hepatócitos e ralacionado com uso de anticoncepcionais, porém com riscos de complicação muito menores de complicações que o adenoma. Deve ser da mesma maneira acompanhado periodicamente pelo especialista.

Tumores malignos

Hepatocarcinoma: são tumores malignos formados por células originárias do próprio fígado. Geralmente relacionado a infecção crônica por virus da Hepatite B ou C ou doença hepatica crônica pelo abuso de álcool.

Os sintomas são semelhantes aos da cirrose em estágio avançada: fraqueza, emagrecimento e icterícia (pele e olhos de coloração amarelada). No caso de suspeita devem ser realizados exames de imagem e dosagem de Alfa-fetoproteína.

Existem vários tratamentos para esse tipo de tumor: ressecção de parte do fígado atingida, quimioterapia intra- arterial, injeção de álcool diretamente no tumor e alguns casos isolados até mesmo transplante hepático pode estar indicado.Quando tumor é muito avançado só resta o tratamento de sintomas.

Metástases: são os tumores mais comuns do fígado e são causados por outros tumores malignos originários de outros orgãos. Câncer de estômago, intestino, rins, ovário e útero podem causar metástases hepáticas. Os sintomas são perda de peso, perda de apetite, fraqueza, dor em quadrante superior direito do abdome e icterícia(pele e olhos de coloração amarelada).

Quando as metástase de fígado são descobertas sem conhecer sua origem devem ser solicitados uma série de exames para desvendar sua origem: Endoscopia Digestiva Alta , Colonoscopia e Ultrassom de Abdome.

Quando a metastase hepática é única ou se as lesões são restritas a apenas a um lado do fígado, é possível realizar a ressecção cirúrgica do tumor. Quando elas acometem todo fígado a cirurgia não esta indicada.

Tratamento por Cirurgia Convencional

Com a evolução do conhecimento da anatomia hepática e com a o desenvolvimento das técnicas e materiais cirúrgicos nos últimos 35 anos , a cirurgia de ressecção do fígado, um órgão anteriormente considerado inacessível, tornou-se possível. Para abordagem do órgão são necessárias grandes incisões na parte superior do abdome e o paciente permanece internado por vários dias.

Tratamento por Cirurgia Laparoscópica e Robótica

Nos últimos 10 anos com o desenvolvimento da cirurgia laparoscópica tem sido possível a realização com pequenos orifícios de 0,5 a 1 cm e retirada do tecido por uma incisão de 10 cm. Nesse tipo de cirurgia a resposta inflamatória a agressão cirúrgica, ou seja, cortes e manipulações de órgãos é muito menor. Isso permite que mesmo num procedimento de grande porte como a retirada de parte do fígado ocorra menos dor e a capacidade para voltar a se alimentar seja mais rápida , assim o paciente consegue receber alta muito antes do que se costuma ver nas cirurgias convencionais com grandes incisões.

Um passo a frente foi dado com a utilização da cirurgia robótica no auxílio da laparoscopia permitindo movimentos mais precisos e manobras que antes não eram possíveis na videolaparoscopia convencional. Experiências na literatura médica tem sugerido que nas hepatectomias com auxílio da robótica é possível diminuir o sangramento e portanto a necessidade de transfusões sanguíneas.

Dr. Vladimir Schraibman

Graduado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo, com mestrado e doutorado em Ciências Médicas pelo Departamento de Cirurgia da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina, Dr. Vladimir Schraibman é especialista em cirurgia geral, gastrocirurgia e orientador de Cirurgias Robóticas da área de Cirurgia Geral e do Aparelho Digestivo do Hospital Israelita Albert Einstein (Proctor Intuitive Robotic System) e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Videolaparoscópica (Sobracil). É médico colaborador do Setor de Fígado, Pâncreas e Vias Biliares do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal de São Paulo, além de integrar o corpo clínico do Hospital Albert Einstein. Tem diversos artigos publicados em revistas e jornais científicos do Brasil e do exterior, além de intensa participação em congressos nacionais e internacionais.

 


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